Economia Circular - O que é?

Por Paula Oliveira 0 comentários

Economia Circular - O que é?

O que é a Economia Circular e como fazer parte do movimento?


A Economia Circular é um modelo económico baseado na redução, reutilização e reciclagem. O seu objectivo é reduzir ao mínimo os resíduos, prolongando o mais possível a vida útil dos produtos. Quando este ciclo de vida chega ao fim, todos os elementos que seriam desperdiçados são reutilizados para fabricar novos produtos, reduzindo assim a extracção de matérias-primas do ambiente e a produção de substâncias tóxicas para o planeta.


Este conceito surgiu da necessidade de contrariar a tendência de crescimento da população e a consequente pressão sobre os recursos naturais, que são escassos. A economia circular opõe-se ao actual sistema de produção: a economia linear, baseada no processo de extracção -> produção -> utilização -> descarte. Neste modelo económico insustentável, os produtos são feitos a partir de matérias-primas extraídas da Terra e, quando chegam ao fim do seu ciclo de vida, são deitados fora, sem quase nenhuma reutilização.


Todos os anos utilizamos os recursos naturais disponíveis cada vez mais rapidamente. Em 2019, 29 de Julho foi a data em que consumimos o que se pretendia durante um ano inteiro, faltando ainda 5 meses. Os recursos do Planeta Terra são finitos e cada vez mais escassos. A extracção de matérias-primas para o fabrico de produtos consumidos pelo homem tem como consequência directa um enorme gasto de energia e emissões de gases poluentes para a atmosfera.

Uma mudança radical na cadeia de produção, na utilização dos recursos e mesmo na forma como consumimos está a tornar-se cada vez mais urgente. A transição para a economia circular é a resposta aos problemas ambientais causados pelo modelo linear, mas implica uma mudança total de paradigma na organização social e económica.

Mas como contribuir para a economia circular?


REUTILIZAÇÃO

A principal maneira é reutilizar e isso vale para tudo, seja um smartphone, uma peça de roupa ou um saco de plástico. Não deitar fora produtos desnecessariamente e utilizá-los até que sejam completamente inúteis. Se o produto tiver sofrido algum dano, tente repará-lo em vez de comprar um novo. E se já não satisfaz de todo as suas necessidades, encontre alguém que o queira em vez de se livrar dele.


RECICLAGEM

Se já não for possível reutilizar, certifique-se de que a recicla correctamente. Hoje em dia é possível reutilizar quase todo o tipo de lixo, mesmo electrónico! Ao fazer uma reciclagem adequada, os materiais ou produtos que seriam desperdiçados terão uma nova vida, entrando na economia circular.

Nota: No caso de equipamento electrónico, certifique-se de NÃO o atirar para o lixo normal. Em http://www.ondereciclar.pt/ pode verificar os centros de recolha de lixo electrónico mais próximos de si para se certificar de que são reciclados correctamente.

VESTUÁRIO

Nos últimos 15 anos, os seres humanos duplicaram a produção (e o consumo) de vestuário. Para além destas figuras preocupantes, estas mesmas roupas são cada vez menos usadas e acabam no lixo. A indústria da moda rápida é a segunda indústria mais poluente do mundo. Esta indústria produz vestuário muito rapidamente, geralmente em países subdesenvolvidos, com materiais muito baratos e poluentes, obtendo assim um preço final acessível à maioria dos compradores.

A solução não é a compactação com marcas sem valores sustentáveis. Procure lojas no comércio local que pratiquem preços justos, utilizem materiais de qualidade e mão-de-obra qualificada. Compre apenas o que precisa e saiba que o utilizará e não o consumirá por impulso. Procure peças de melhor qualidade que durem mais tempo. Pode custar mais adiantado, mas é o vestuário que dura muito mais tempo. Procure também lojas de roupa em segunda mão, com preços muito atractivos e produtos 100% reutilizados. Finalmente, as roupas ou sapatos que já não vai usar podem ser vendidos ou doados.

ALIMENTAÇÃO

Actualmente, a indústria alimentar segue um modelo de produção em massa para satisfazer as necessidades de crescimento da população e do consumismo. 31% dos alimentos produzidos não chegam sequer ao prato, e acabam por ser desperdiçados. De acordo com as Nações Unidas (ONU), os resíduos alimentares causam 10% dos gases com efeito de estufa.

Para contribuir para uma economia alimentar mais sustentável, pode começar por não a desperdiçar. Sempre que possível, comprar a quantidade certa de alimentos para que não haja excedentes. Consumir alimentos produzidos de uma forma regenerativa e local, garantindo a sua origem natural. Sabia que pode usar a casca de laranja para fazer chá? A casca é rica em vitamina C e é boa para a sua saúde.


PRODUTOS ELECTRÓNICOS

Em 2018, 48,5 milhões de toneladas de resíduos electrónicos (e-trash) foram produzidas no planeta. Em 2019, esse número subiu para 53 milhões de toneladas. Deste número, apenas 17% foi devidamente reciclado. Um estudo conduzido pela ONU estima que até 2050 produziremos cerca de 120 milhões de toneladas de lixo electrónico.

De acordo com um estudo da Marketwatch, os utilizadores compram um novo telefone em média após 15 meses. Quer devido ao desejo de ter o último modelo, quer devido a um dano cuja reparação é quase o preço de um dispositivo novo. A forma mais eficaz de contribuir para a economia circular na electrónica é prolongar a vida útil dos dispositivos, cuidando bem deles. Desta forma, evita-se comprar um novo com tanta frequência e, consequentemente, todos os custos ambientais associados à sua produção.

Optar sempre por reparar em vez de substituir.

Caso necessite realmente de comprar um novo equipamento electrónico, pode optar por um recondicionado. Estes são produtos que foram descartados pelo último utilizador, passaram por uma manutenção e substituição rigorosa de algumas peças e regressaram ao mercado com um preço muito mais acessível e uma garantia de 1 ano. Este tipo de recuperação dá uma nova vida ao equipamento tecnológico e contribui para o modelo de economia circular. O mercado da renovação tem evitado o desperdício de milhares de toneladas de resíduos electrónicos por ano.

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