Como é que os outros países estão a preparar o regresso às aulas?

Por Equipa Digiplanet 0 comentários

 

Como é que os outros países estão a preparar o regresso às aulas?

 

 

Depois de alguns meses com as escolas fechadas e ensino à distância, já muitos países anunciaram as diretrizes para o regresso às aulas presenciais. Máscara, sem máscara. Distância, sem distância. As discrepâncias são muitas, mas há um ponto em comum: todos concordam que a escola virtual é um regime insustentável - estima-se que a Covid-19 tenha afetado mais de 1,5 mil milhões de alunos no mundo. Cada país está a lidar com a pandemia de forma diferente e não se sabe ainda qual a mais eficaz no que diz respeito ao ensino. Mas entretanto, muitos alunos já começaram a regressar às aulas. Neste artigo damos a conhecer algumas das normas instituídas.


 

ESPANHA

 

As regras variam de região para região, mas em geral o uso de máscara só será obrigatório se o distanciamento não for cumprido. Os alunos devem sentar-se a um metro de distância, sem máscara, sempre que possível. Para cumprir esse intervalo, pode ser necessário  retirar todo o mobiliário não indispensável das salas ou juntar os alunos em locais alternativos, como laboratórios ou anfiteatros. Só como última opção, deve impor-se o uso de máscara durante as aulas. 

No entanto, nos espaços comuns, como corredores ou refeitórios, a máscara torna-se obrigatória. As aulas de educação física devem ser realizadas ao ar livre, sempre que possível, e os desportos de contacto, como o basquete ou o futebol, evitados. No caso de serem praticados, os grupos de alunos têm de se manter iguais durante todo o ano letivo. Nas aulas de música não será possível partilhar instrumentos

Em Madrid, as normas são ligeiramente diferentes: no regresso às aulas, previsto para setembro, o uso de máscara não é obrigatório até os seis anos; entre os seis e os 12, pode abdicar-se do seu uso se os alunos estiverem apenas com o seu grupo de contacto habitual na escola; a partir dos 12 anos, apenas será usada nos casos em que não se consegue manter uma distância mínima de 1,5 metros. Para os professores, a obrigatoriedade depende do nível de ensino e das condições da sala de aula.

 

 

 

ITÁLIA

 

Em Itália, um dos países mais afetados pela Covid-19, as medidas não são tão liberais. Além da contratação de milhares de professores, à semelhança de Portugal, o Ministério da Educação italiano encomendou 3 milhões de mesas e bancos individuais, uma vez que os materiais que existem agora em muitas escolas não permitem o distanciamento físico necessário. No entanto, teme-se que as novas mesas não cheguem a tempo do início das aulas, em Setembro, e algumas escolas já começaram a adiantar trabalho: estão a serrar os bancos, transformando-os em dois individuais.

As máscaras são obrigatórias para toda a comunidade escolar a partir dos seis anos — medida que será reavaliada antes do início das aulas — e os professores podem usar viseiras como alternativa.

As escolas terão alguma autonomia para tomar decisões face a cada situação, o que torna as medidas adotadas diferentes em cada estabelecimento de ensino. As aulas devem ser dadas ao ar livre sempre que possível. Podem também optar por regimes mistos, em que a presença na escola é desfasada e paralelamente as aulas são transmitidas online. As secundárias são as que mais preocupam o Ministério da Educação e algumas já têm planos para avançar com o ensino misto. 

 

 

INGLATERRA

 

O regresso às aulas presenciais, no início de setembro, deixa de ser opcional e passa a ser obrigatório para todos os alunos. A principal medida para evitar a transmissão do coronavírus é a criação de grupos de alunos (turmas ou níveis de ensino) e evitar ao máximo que estes se cruzem durante o dia, através de horários desfasados e higienização frequente dos espaços. 

As escolas devem também estar em constante contacto com as autoridades de saúde, que fará testes sempre que houver suspeitas de casos. O governo britânico tem ainda uma grande preocupação: os transportes públicos. É preciso diminuir a procura e aumentar a oferta, sobretudo nas horas de ponta. Foi pedido às escolas que incentivem professores e alunos a irem para a escola a pé ou de bicicleta, sempre que possível.

 

 

ALEMANHA

 

Foi o primeiro país da Europa a voltar ao ensino presencial, optando pelo regresso faseado. O ano letivo 2020/2021 começou em agosto já com as novas medidas aplicadas: as regras permitem que os jovens não tenham de usar máscara nas salas de aula - apenas quando circulam nos corredores - nem cumprir um distanciamento físico mínimo. Os alunos foram divididos por faixa etária, quer nos intervalos, quer nos refeitórios, evitando cruzamentos de turmas e anos diferentes. Assim, se alguém testar positivo, não será necessário encerrar a escola inteira, apenas uma turma ou um ano será isolado em quarentena.

Tal como em Portugal, fez-se um investimento de milhões de euros em portáteis para os estudantes com mais necessidades financeiras.

 

 

ESCÓCIA

 

A Escócia optou pelo regresso faseado, mas até 18 de setembro todas as escolas deverão estar a funcionar a 100%. Umas optaram por receber primeiro os mais novos e outras estão a dividir os alunos por ordem alfabética. Também foram criados corredores de sentido único para evitar cruzamentos, pois assim os alunos não passam duas vezes no mesmo sítio. As máscaras não são obrigatórias durante as aulas e as bibliotecas e auditórios foram transformados em salas para garantir o distanciamento entre alunos. Aos mais velhos apenas foi pedido que evitem abraços, o que está a gerar reclamações por parte dos docentes. Estes têm de manter dois metros de distância dos alunos e usar máscara sempre que estiverem perto de outros professores.

 

 

ESTADOS UNIDOS

 

Nos Estados Unidos da América, o país que registou mais casos de Covid-19 até ao momento, em algumas regiões, já recomeçaram as aulas, apesar de o número de surtos não estar a diminuir. A falta de regras para conter a pandemia nos estabelecimentos de ensino levou muitos alunos e professores às ruas, manifestando-se contra a situação vivida no país. A preparação dos professores para o novo ano letivo passa por investir num seguro de vida e alguns até fizeram um testamento. Na realidade, têm uma escolha difícil pela frente: trabalhar sem condições de segurança asseguradas ou não trabalharem de todo.

Apesar de nos últimos 15 dias, o número diário de casos rondar os 50 mil (cerca de 9 vezes mais do que em Portugal), não é exigido aos alunos o uso de máscara nem mesmo o distanciamento social.

 

 

x